Fiumani

Fotografia: Mauro Motty

Fiumani

Escultura · Pintura · Instalação

Filippo Fiumani (n. 1987) é um artista contemporâneo e ator italiano radicado em Lisboa. A sua prática multidisciplinar — que atravessa a escultura, a pintura e a instalação — explora o atrito entre a degradação ambiental, a tecnologia digital, a emoção humana e o caos urbano. Reconhecido por obras arrojadas e dinâmicas que fundem o expressionismo abstrato com uma narrativa figurativa, Fiumani sobrepõe cores vibrantes, materiais descartados e fragmentos simbólicos para construir composições de forte carga emocional e cariz socialmente comprometido.

Ancorada na experimentação intuitiva e moldada por um percurso ligado à cultura de rua, a sua abordagem trata a cidade como tela e arquivo, transformando objetos encontrados, luzes de néon, microcomputadores e detritos visuais em narrativas caleidoscópicas. O seu trabalho percorre a complexidade da identidade contemporânea, justapondo muitas vezes a alegria e a ironia à vulnerabilidade e à inquietação. Através da assemblage e da saturação sensorial, Fiumani convida o espectador a um espaço de reflexão cru e vital, onde a beleza e a entropia coexistem.

Declaração do artista

A minha prática assenta na experimentação intuitiva e num impulso narrativo; gosto de trabalhar em qualquer estilo que corresponda à ideia ou à emoção que pretendo exprimir.

Moldado por experiências formativas com o skate e o graffiti, aproximei-me primeiro da cidade e da tela como um espaço dinâmico de jogo, observação e intervenção. Essa relação inicial com o espaço público continua a informar o meu trabalho, que explora o negligenciado, o descartado e o fragmentário enquanto poderosos portadores de sentido.

Trabalhando com técnica mista, crio instalações, pinturas e peças com ecrã que incorporam objetos encontrados, néon LED, microcomputadores e detritos tecnológicos. Atrai-me a linguagem visual da cultura de massas e do consumismo — aquilo que deitamos fora e as imagens que interiorizamos sem darmos por isso. Através da assemblage e da recomposição, construo paisagens emocionais e sociais que refletem sobre a memória, os códigos culturais e as formas contemporâneas de desconexão. Neste processo, a escrita e a linguagem funcionam como ferramentas de assemblage, moldando a obra a partir de dentro. As palavras emergem muitas vezes a par dos materiais, levando-me a mergulhar nas suas raízes, a seguir as suas etimologias e ligações e a descobrir novas camadas de sentido. Cada peça torna-se um ponto de tensão: entre o passado e o presente, a cultura pop e a crítica, a ironia e a vulnerabilidade. Nesse atrito entre a memória pessoal, a linguagem e o imaginário coletivo, procuro colocar novas perguntas, guiado tanto pela intuição como por aquilo que encontro no mundo.

Para mim, a arte é uma forma de metabolizar a emoção. Ajuda-me a compreender-me e, assim espero, oferece algo de significativo aos outros. Vejo a criação como um ato de resistência contra o conformismo e a velocidade — uma forma de reaver a atenção e a presença num mundo acelerado e descartável.

Hoje, entendo a minha prática como uma forma de questionar a vida com entusiasmo: uma força vital em constante transformação.

Exposições individuais

  • 2021 — Underdogs Gallery, Lisboa
  • 2024 — Songword Art Gallery, Los Angeles
  • 2025 — Words x Sword (publicação), Lisboa
  • 2026 — Floating Heads, Casa Compósito, Oeiras

Exposições coletivas

  • 2020 — Underdogs — A Decade [2010–2020] (publicação coletiva)
  • Acid Gallery, Lille, França
  • Zclub Gallery, Cidade do México
  • Cordoaria, Art Expo, Lisboa
  • Boom Festival, Portugal
  • Wheels and Waves, Biarritz, França
  • One Root, Paris, França
  • Wuum Gallery, Los Angeles, EUA
  • 2026 — Floating Heads — Repetir até Extinguir, Casa Compósito, Oeiras

Residências artísticas

  • 2022 — Memorie Urbane, Gaeta, Itália
  • 2024 — Hustler Building, Los Angeles, EUA

Projectos colaborativos

  • 2022 — Kalorama Festival com Underdogs Gallery, Lisboa
  • 2022 — Soul on the Moon, Fundação Sandeman, Quinta do Seixo
  • 2023 — Festival Iminente, Lisboa
  • 2023–26 — Futurama, Serpa e Alvito

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